"O Mundo Está em Chamas" é a declaração visual de Charlie Visconage para o momento presente: um mundo moldado pela consciência coletiva, pela reflexão pessoal e pela necessidade urgente de seguir em frente. Artista autodidata norte-americano, atualmente radicado em Matosinhos, Portugal, Visconage pinta a partir da necessidade da experiência vivida e da jornada visual, transformando a turbulência da vida contemporânea em uma linguagem pictórica crua e luminosa. A sua obra não se esquiva do mundo como ele é; ela encara-o de frente, com honestidade, humor e intensidade.
Nas suas diferentes séries, e especialmente em "Fúria Positiva", cores fluorescentes e neon vibrantes impulsionam as pinturas para um espaço emocional carregado, onde inocência e inquietação coexistem. As figuras, os gestos e as superfícies ousadas despertam algo profundamente familiar: a criança interior, o instinto de sentir antes de explicar, a crença de que criar é uma necessidade humana. Nas mãos de Visconage, a pintura torna-se tanto testemunho quanto libertação: uma forma de questionar o mundo, mas também de nos lembrar que todos nós somos, de alguma forma, artistas.
Em Terra, Mar e Vinho, Rita Costa parte de uma gramática visual profundamente enraizada na memória coletiva portuguesa para nos devolver aquilo que nos compõe: a terra trabalhada, o mar vivido e o vinho como rito, celebração e continuidade. Nascida em Lisboa, em 1972, e atualmente sediada em Matosinhos, onde dirige a Oficina da Comunicação, a artista constrói uma obra que cruza sensibilidade plástica e densidade identitária, aproximando tradição e contemporaneidade numa mesma pulsação.
Esta exposição propõe-se como um território de reconhecimento. Aqui, Portugal não surge como tema ilustrativo, mas como presença interior: uma herança que nos assombra no quotidiano, que nos corre nas veias e que habita não apenas o imaginário, mas a própria essência de quem somos. Entre ancestralidade e pertença, entre trabalho e festa, entre paisagem e memória, as obras convocam a cultura portuguesa como matéria viva — feita de gestos repetidos, de histórias transmitidas, de sabores, cheiros e ritmos que persistem no tempo. O resultado é uma leitura sensível de um país visto a partir das suas raízes, onde a terra, o mar e o vinho se tornam metáforas de origem, de resistência e de continuidade.
A inauguração de Terra, Mar e Vinho acontece no Gallery Hostel Porto, na Rua Miguel Bombarda, 222, no dia 4 de julho de 2026.
Gustavo Sanches de Castro, artista natural de Espinho, nascido em 1986, afirma-se na pintura desde 2018, desenvolvendo uma linguagem abstrata e expressionista assente no gesto, no dripping e numa relação muito física com a matéria. Nas suas próprias palavras e apresentação biográfica, a música acompanha o processo criativo, e a mão — ou mais precisamente os dedos — torna-se extensão direta da pintura, num trabalho que evita a assinatura visível e privilegia aquilo que a obra transporta como presença emocional.
Em A Partir de Dentro, a pintura surge como impulso e como corpo. Não se trata apenas de representar uma forma, mas de deixar que a matéria revele uma energia interior: uma pintura que nasce do movimento, da pulsação e do confronto entre controlo , rendição e abandono. A tinta lançada, escorrida, tocada e sentida com as mãos constrói superfícies onde o acaso é domado pelo instinto e onde cada camada guarda vestígios de uma travessia íntima. É dessa fricção entre força e vulnerabilidade que emerge a singularidade do artista: um vocabulário próprio, visceral, sem concessões, em que a imagem não se fecha em significado, antes abre espaço ao olhar, à contemplação e à imaginação.
A exposição propõe, assim, uma experiência de imersão e reflexão. A Partir de Dentro é uma viagem ao lugar onde a pintura acontece antes de se tornar imagem — no gesto, no ritmo, na respiração do corpo que cria. No Gallery Hostel Porto, na Rua Miguel Bombarda, 222, 4050-377 Porto, a inauguração acontece no dia 14 de novembro de 2026, às 16h00.
Em Terra Ser, Rita Paupério trabalha a pintura como um lugar de escuta e de pertença. Artista nascida em 1981, em Espinho, onde vive e trabalha, desenvolve uma prática assente na abstração, na memória e na construção de paisagens interiores.
Nesta exposição, os tons terra, ocre e naturais afirmam-se como matéria e como linguagem. A cor não descreve apenas a natureza: torna-se natureza. Cada superfície parece conter algo de ancestral, de tátil e de essencial: como se a pintura trouxesse consigo a respiração do solo, a impermanência e a permanência da matéria e a quietude de um tempo e de um lugar mais profundos.
Terra Ser fala dessa ligação íntima entre a Natureza e o Ser: aquilo que nos sustenta, nos forma e nos devolve a uma presença mais funda, humana e mais presente. Entre o visível e o sensível, a obra de Rita Paupério propõe uma experiência de recolhimento e de reconhecimento, onde pintar é também habitar o mundo com atenção e presença.
A exposição inaugura a 19 de setembro, às 16h00, no Gallery Hostel Porto, Rua Miguel Bombarda, 222, 4050-377 Porto.