Na exposição “Mescla”, propostas de diversas dimensões e conceitos são apresentados em conjunto: a pintura de um modo mais conceptual e espiritual e a ilustração, em forma de pintura, de uma forma mais prática e funcional. Todos os projetos são pensados e criados em momentos diferentes, fazem todos parte da mesma artista, mas existem e coexistem de forma independente. Pela primeira vez, acontecem no mesmo espaço e giram em torno de uma conversa de conhecimento e tentativa de ligação através de um fio que os guia e funde. Em baixo os textos correspondentes a três dos projetos apresentados: “Ser” (2021); “Leaves in Brasil” (2022); “Coleção Indiana” (2017-2022). Para além destes, também vemos nesta exibição ilustrações de cogumelos, alguns prints do projeto “Estou a Ler um livro em Branco” e pensamentos sobre a água como forma de identificação do ser humano. Ser (2021) Ser sem estar presente dentro da alma ou ser sem estar presente dentro do corpo? A anulação de uma das duas corrói a liberdade. Somos corpo e alma, somos presos sem saber. A descoberta passa por uma absorção de pensamento involuntário, pela aceitação das mãos, das pernas, dos pés, da cabeça, dos olhos e assim sucessivamente. Deito-me num jardim quando ainda chego com a boca aos dedos dos pés, saboreio a ignorância do ser. Esta simplicidade que nos leva à felicidade vai passar em segundos apesar de me terem dito que se passaram anos. Sou um fruto preso a uma árvore que não me deixa cair. Leaves in Brasil (2022) Por entre pegadas de uma vida simples me encontro, no ar que me entra pelas narinas, na água que me toca a pele, no sol que me acalma a alma. Os olhos em forma de poço começam a secar e retomam o brilho e a vontade de observar.
Rita Guedes nasceu no Porto, Portugal, a 04 de Outubro de 1994, tirou o curso de Artes Plásticas com especialização em Pintura na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto (2012-2016). Previamente, frequentou também um curso de Design de Comunicação (2009-2012) na escola artística de Soares dos Reis. Durante a realização do curso de Pintura, integrou (2015/2016) o programa de Erasmus + em Bolonha, Itália onde encontrou as cores que ainda hoje a representam. Atualmente usa o pseudónimo Rita Fugaz e apresenta um trabalho marcado pela linha e pelos tons azuis e verdes. A maior característica da sua arte pousa na criação de diferentes projetos de pintura aliados ao texto. Estas propostas tem servido para comunicar a sua visão sobre assuntos relacionados com o ser e com a natureza. O pensamento como meio é a sua maior questão. No último texto que escreveu questiona a importância do raciocínio e dá força à liberdade que encontra na meditação, livre de conceito. Para além do motivo, temos também a matéria, e é através deste corpo que cada obra aparece no mundo físico e deixa de existir somente no seu mundo psicológico. Após um longo processo de descoberta e interiorização do mundo artístico, encontrou um rumo que a representa nos dias de hoje. Podemos dizer que Fugaz é paz e densidade ao mesmo tempo. Por vezes o verso torna-se frente e a frente torna-se verso. Acredita que somos um todo com interior e exterior e por essa razão tenta mostrar sempre os dois lados de uma visão aparentemente pacífica.